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A loucura de uma sociedade sã.
" Um dia, os seres humanos de toda a Terra ( ou pelo menos aqueles que eram abraçados pelas mãos extensas do capitalismo.) resolveram não mais parar de trabalhar em prol da competitividade "saudável" da concorrência do Mercado. E foi assim, pouco a pouco os dias de folga foram diminuindo, de 30 dias anuais, passaram para 15, depois para uma semana, um dia ( o dia do trabalho, onde ninguém trabalhava) e depois quando a concorrência anunciou que eles não parariam naquele dia do trabalho, todos resolveram seguir o seu exemplo e também não pararam mais. Os finais de semana e feriados se resumiam a uma bonificação em dinheiro no final do mês devido a horas extras e a uma carga de trabalho que era aquém da demanda que qualquer funcionário humano poderia oferecer... Os efeitos colaterais não demoraram a aparecer ( facilmente amparados por um seguro saúde extremamente caro e rico que algumas mega-corporações ofereciam em troca da alma daqueles funcionários.): depressão, stress, violência excessiva no cotidiano, uso de drogas, separações de casamento e términos de namoro em massa. Tudo isso, somado a uma concorrência feroz no mercado de trabalho acabaram transformando a vida numa grande luta pela sobrevivência. Os humanos transformaram Deus num cruel executivo que comandava uma mega-filial chamada Planeta Terra, eles, por mais que não perdessem a fé, não se viam mais do que relés funcionários da vida implorando por melhores condições de salário onde O SOBERANO, por meio da voz de seus assistentes-secretários ( pastores, padres, pais-de-santo ou o que quer que eles o chamassem) prometia analisar com carinho o desempenho de cada um, coisa que nunca chegava. E assim, os tristes rostos nas caras de cada um foram brotando e o sorriso e a felicidade se tornou um acessório de luxo que não se podia comprar em nenhum supermercado, loja de conveniência ou portal virtual na internet. Alguns funcionários mais dedicados, passaram dias, semanas ou até meses longe de casa e de suas famílias, também facilmente amparados pela tecnologia ( A mesma que se vendia nas televisões digitais que aproximavam as pessoas e as faziam mais felizes.) . Rostos dos conhecidos, dos amigos, das namoradas e esposas eram vistos e lembrados por programas de chat instalados clandestinamente no computador, em video-conferência, nas telas de caros celulares e pelo arcaico telefone. E lá, as conversas se resumiam a acontecimentos no trabalho, a falar de saudade e tristeza, a falar de quando eram felizes quando era criança. Seus rostos, agora transformados em pixels de alta-resolução exibiam um sorriso forçado para dar uma força solidária a pessoa querida do outro lado da tela, mostrando que um dia as coisas iam mudar e iria melhorar.
No trajeto para o trabalho, gastavam-se mais tempo em congestionamentos, dentro de confortáveis carros com ar-condicionado do que numa caminhada simples até lá, como se os humanos quisessem se refugiar dentro de um pequeno mundo onde as pressões e o desejo de melhora na produtividade não os alcançassem, alguns achavam que ir ao trabalho era um castigo divino, uma penitência pelos pecados diários que eles cometiam, outros achavam que era inevitável, que só existia esse modo de vida e não havia nada a se fazer a não ser aceitar as chicotadas e os açoites do cotidiano. Os Hospitais ficaram inchados com pessoas hipocondríacas que precisavam de um remédio que não se encontrava em nenhuma prateleira de farmácia ou casa de saúde: - Carinho, amor e compreensão. Isso era algo que estava em falta em qualquer lugar e que, se lançassem isso em vidrinhos ou pílulas não seria necessário nenhuma campanha maciça de Marketing, a notícia se espalharia e o dono daquela patente se tornaria mais um milionário.
E, no meio de tudo isso, da tristeza absoluta que acompanhava cada indivíduo, haviam algumas pessoas ( muitos poucas, é verdade), que ainda se encantavam com a beleza de uma flor ou com a simplicidade de uma borboleta voando por entre elas, em uma pequena casa, no centro de uma das cidades mais ricas de cada país, havia um grupo que cuidava de um pequeno jardim. Que acordava cedo com felicidade e cantavam e desejavam Bom Dia de uma forma sincera aos seus companheiros, em pequenas casas onde havia uma placa com os dizeres Lar de Pessoas Especiais, protegidas por muros pixados, se preservavam as últimas pessoas realmente sãs de toda a face da terra, eram elas que sobreviveriam a todos os males da mente humana, e eram elas que a sociedade as chamavam de Loucas e Doentes Mentais e eram elas a quem devíamos pedir ajuda. "
Escrito por Super-EU! às 07h03
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Este seu olhar.
"Ahhhh, o que dizer do olhar daquela mulher? O olhar que ela me dirige são como vagões de trem me convidando a viajar num trajeto de sonhos e cores que meu coração anseia sempre... Ela não precisa nos dizer nada, basta fixar seus olhos nos nossos, para encobrir qualquer palavra encontrada no dicionário, para suprir qualquer carícia que porventura nosso corpo deseja, para pagar qualquer dinheiro que nossos bolsos possam pagar. O olhar dela é assim, complexo, de uma complexidade que os matemáticos não sonham, é um olhar belo, de uma beleza que os poetas sempre descreveram e é feliz, de uma felicidade que eu nunca sonhava existir. O olhar dela é assim, simples, de uma simplicidade que nem o mais velho andarilho aceita ter e mesmo assim, eu o idolatro e o peço, como se eles me fornecessem uma luz divina que tanto os seres vivos merecem sempre ter. E sempre que eu o recebo, eu o desejo, sempre que eu o desejo, eu sinto saudades desse olhar... E se sentir saudades de algo é querer vivê-lo novamente, então quero viver este olhar sempre, numa roda gigante que não tem mais previsões de parar... Ahhh, o que dizer deste olhar? ..."
Escrito por Super-EU! às 07h17
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