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A Ilha
" Já passava das 14 horas e Super-EU! continuava ainda ali... Trancado naquele banheiro, sentado em um pequeno banquinho olhando para o vazio... Em sua mente passava um turbilhão de pensamentos e ao mesmo tempo passava o vazio, a vontade de passar o nada, sua vontade era de ficar ali eternamente e não ter mais responsabilidade e dever, ali, ninguém dependia dele ou o queria por perto, ali, ele era apenas uma porta trancada , apenas o adiamento da vontade fisiológica de outra pessoa... E se pegou a analisar a sua vida e tudo de bom que tinha acontecido e o quanto as pessoas ao seu redor eram maravilhosas, e o quanto ele não tinha tempo de amá-las ou admirá-las. E se sentiu cansado e triste por isso, suas lágrimas começaram a rolar, e só então ele ouviu o barulho da água da torneira batendo contra o fundo da banheira daquele lugar. Seu coração dizia: - Basta, não dá mais pra continuar... Ele não queria mais ninguém dependendo dele, ou o amando, simplesmente por não se achar digno daquele amor e admiração... Subito, ouvira o bater nervoso contra a porta e uma voz chamando por ele...
Não! Descobriram onde eu estou! - pensou assustado, a realidade invadira rápido aquele aposento como a agua de uma represa que se rompe e afoga tudo ao seu redor.
E em outro instante, ouvira uma música vindo do bolso de sua calça, era seu celular que tocava, no número daquele aparelho ele vira que vinha da empresa onde ele trabalhava... Era alguém precisando dele, eram problemas que só ele poderia resolver... Era dor de cabeça, era o cansaço e era a frustação chegando em seu corpo e em sua mente... Com as mãos tremendo, tocou o aparelho, colocou-o lentamente sobre a pia, e caminhou em direção a banheira... Seus sapatos pretos brilhando e polidos, tocavam a sinfonia mortal que estava por vir, seus braços cansados pendiam sobre a cintura como um condenado que desistira de se debater e se entregava ao Carrasco. Seu rosto tinha uma expressão de raiva e de tristeza tão incompreensíveis que nao revelavam o que sua mente tramava para o seu próprio fim... Ele então ergueu uma das pernas, deixou que ela se banhasse naquele pequeno recipiente, sentiu a sensação quente e confortável da água que estava lá dentro... Vagarosamente colocou a sua outra perna enquanto ouvia cada vez mais alto a música vinda de seu celular e as batidas desesperadas de sua mãe do outro lado da porta... Encolheu o corpo e se sentou dentro da banheira sentindo a água vinda de todas as direções. Agora, ele era uma ilha cercada de lágrimas de todos os lados, e lentamente foi se abaixando, como um navio furado que afunda no oceano, ele ia descendo devagar, percebeu o quanto era engraçado a sua gravata flutuar naquela água toda eo quanto era confortável aquilo batendo em seu rosto, agora era uma sensação de liberdade que preenchia o seu corpo... Não haveria mais dores, não haveria mais tristezas, não haveria mais responsabilidade e obrigações... Nada... Haveria o nada como ele sempre desejou... Ele fechou os olhos... prendeu a respiração e mergulhou... Mergulhou na paz de espírito e no mundo de sonhos o qual ele nunca deveria ter acordado e não mais ouviu o bater da porta e o toque do celular em cima da pia. Ouviu apenas a água... E o fim de uma história que não teve forças pra continuar. "
Escrito por Super-EU! às 07h15
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Ontem eu queria...
" Ontem... Ontem eu chorei por gostosos minutos... A tristeza me envolveu com um abraço tão melancólico e lamentável que eu acabei por me afogar em meu próprio oceano de lágrimas... Tive vontade de me sufocar com a minha própria ânsia de tristeza e de colocar meu travesseiro sobre o meu rosto de um modo que eu não pudesse mais respirar... Mas eu não o fiz, não acabei por me acabar desse modo tão desprezível, a morte de alguém deve ser algo grandioso, não uma coisa pequena de um acontecimento tão fútil, aquele que se mata deve tornar-se um mártir. Aqui jaz aquele que não aguentou essa vida, aquele que quis se antecipar e comprar a passagem nessa locomotiva da morte e ir para a próxima estação. Eu invejo aqueles que tem a coragem de dar o passo que o separa dessa vida pra outra, aquele que aperta o gatilho, aquele que toma a cápsula fatal que fará todas as suas dores cessarem e o seu coração parar de bater, aquele que simplesmente dá o braço a torcer e diz: - Basta, eu não aguento mais. "
Escrito por Super-EU! às 07h21
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Deus e seu trabalho com os homens.
" ... Deu um trabalho imenso! Demorei 7 dias e 7 noites para terminar, mas valeu a pena. Após o término daquela nova casa, fui observar os Seres humanos que tinha encontrado, e, para minha surpresa, os dois dormiam abraçados. Aproveitei para pegá-los sem fazer barulho e colocá-los ali, em sua nova casa, querendo fazer a eles uma surpresa. - Acho que eles vão gostar muito! - pensei, e em seguida, apaguei o sol e fui dormir, exausto, mas satisfeito pelo trabalho que tinha terminado. Isso é claro... Ocorreu há alguns milhares de anos atrás, tempo o bastante para que eu refletisse sobre tudo o que tinha feito e despendido meu tempo com eles e observado o quanto seu conhecimento evoluiu mas suas atitudes regrediram. Criaturas tão espertas em conhecimentos, mas tão frágeis de coração... Vi tantas obras magníficas sairem de suas mãos, mas tanto sangue derramado por suas ambições e pecados que eles nunca conseguiram reverter. Que um dia me perguntei... - Será que vale a pena continuar cuidando deles? Será que não é chegada a hora de abandoná-los a sua própria sorte? Se não existe amor-próprio em seus corações, deverei eu ter a obrigação de amá-los? ... Eu posso ter criado o mundo deles, mas eles criaram tanto cinza, tantos prédios, carros, poluição, se proliferaram tanto que parece não haver lugar pra todos juntos, quando há tanto espaço naquele mundo! Eles brigam por amor, por dinheiro, por comida, por água, petróleo, brigam pelo passado, pelo presente e pelo futuro. Até por mim eles brigam! As vezes penso que a única coisa que eles sabem fazer é brigar! Mas aí, olho para o outro lado, e vejo as crianças que eles criaram... Vejo quanta vida elas carregam dentro de si, vejo a magia nos olhos delas ao comer um algodão doce, ao passear pelos parques com suas famílias... Ao andar no carrossel. Vejo também o quanto os seres humanos ficam bonitos quando amam, como brilham quando se encontram com a pessoa amada, e como conseguem sorrir mais do que seu próprio rosto permite! Ahhhh, o quanto cabe de emoção naqueles pequenos coraçõeszinhos, qual o limite deles para amar tanto! Ah não sei... Queria poder colocar numa balança as virtudes e os defeitos dessa raça e ver o que fica mais pesado. Ah criaturinhas tão pequenas, mas que me causam uma dor de cabeça tão grande... Se eu não os amasse tanto, eu poderia começar tudo de novo. Que bobagem, estar escrevendo uma coisa dessas, sendo que eu sou o único por aqui... As vezes queria poder falar tudo isso pra alguém... Vou deixar de bobagem e vou fazer algo lindo pra eles, por serem assim tão maravilhosos... Enquanto isso num planetinha azul no universo... Uma criança de um país pobre volta pra casa sendo arrastada pela mãe apressada que está atrasada pro trabalho... - Mãe! Mãe ! Mãe ! Olha, Olha! O Céu está laranja! Ele está laranja! - grita ela enquanto tenta puxar a saia da mãe.. A mãe, com a cara emburrada, não notou a beleza do céu naquele pôr do sol... Não só ela, mas muitos nunca perceberam o quanto o céu aquela noite estava bonito, o quanto as nuvens estavam tão delicadas que pareciam ter sido pintadas com um pincéu enorme num enorme quadro celeste... Só podia ser algo feito por um artista divino e maravilhoso que perdeu um tempo enorme, só para que seus filhos se maravilhassem com a criação e dessem graças por estarem vivos.... Ahhh, os adultos, se eles vissem metade do que as crianças vêem, saberiam que Deus tinha feito isso só pra eles agora..."
Escrito por Super-EU! às 07h21
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