Vida Longa ao Super-EGO
     
BRASIL, SAO PAULO, Homem, de 20 a 25 anos, Catalan, Cinema e vídeo, Livros
MSN - carrasco757@msn.com
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A Força da Imaginação.

" - Eu nunca vou me esquecer daquele dia... - disse Super-EU! enquanto
fixava os olhos na fogueira a sua frente, com os pensamentos perdidos
naquele passado que parecia tão distante...
- Era um fatídico dia de segunda-feira... Daqueles onde você sai pela
manhã, amarrotado de blusas e o calor faz com que vc tire quase todas aos
poucos, num strip quase inconsciente em público... Estava cansado, sentado
em minha mesa, me peguei a olhar um porta-retratos pequeno que estava em
cima dela... Tinha uma imagem, de uma menina que eu conhecia bem, e passara
a ser aquele colorido especial em sua vida tão cinza do dia-a-dia... Não sei
porque, mas por algum motivo, fiquei com uma vontade imensa de fazer com que
aquele retrato ali se movesse com a força do meu olhar... E me concentrei,
fixei minha mente naquele retrato e imaginei um braço invisivel e uma mão a
envolver aquele pequeno objeto querendo que ele viesse para mais perto de
mim... Nada, ele realmente não se mexia, a realidade era forte demais para o
meu pequeno braço imaginário, mas ainda assim... Teimoso como uma criança
que insiste em desafiar as ordens de um pai, tentei mais uma vez...
Semi-cerrei os olhos em direção a aquele objeto , e me concentrando ainda
mais, imaginei agora, não apenas um braço, mas dois, a envolver com força
aquele porta-retratos, tentando trazê-lo em direção a mim. Fiquei surpreso!
O porta-retratos fez um pequeno movimento.
- Não é possível! Pensei... Olhando ao redor para ver se alguém tinha
percebido.. Não, ninguém percebeu, todos estavam ocupados demais para ter
percebido o pequeno milagre que havia acontecido perto de suas vidinhas
medíocres... Eu tinha conseguido mover um objeto apenas com a força da
mente... Fora um movimento pequenino, quase imperceptível, mas o suficiente
para que sua visão pudesse captar aquele pequeno deslocamento. Empolgado,
agora eu me distraía do trabalho completamente, todo o meu pensamento se
voltava para aquele pequeno retrato e aquele sorriso enigmático da menina
que havia dentro dele... Não tinha reparado, mas, naquela foto, aquele
sorriso e seu olhar, pareciam querer dizer que agora nós dois tínhamos um
segredo no qual ninguém mais iria acreditar.
Tentei então mais uma ultima vez para que minha mente pudesse ter a
certeza que aquilo tinha sido real e não objeto de uma imaginação louca por
alguma coisa fora do normal... Cerrei os olhos, imaginei novamente aqueles
dois braços... Braços quase transparentes, azuis... Pequeninos, como braços
de uma criança, com as mão se aproximando do porta-retratos e fechando
vagarosamente em volta dele... Sim, o retrato estava envolto agora naquelas
mãozinhas frutos de sua imaginação... Agora, aqueles braços iria trazer o
porta-retratos para bem perto de mim...Semi-cerrei os olhos novamente e me
concentrei.... Vagarosamente, como se alguém empurrasse pelas costas o
pequeno objeto ele começou a se aproximar... Sorrindo, me concentrei ainda
mais admirando a caminhada lenta e meio dura do objeto sobre a superfície da
mesa. Mas de repente, fui interrompido por um dos meus colegas de
trabalho... Ele não tinha percebido o que eu fazia, e começou a falar dos
problemas que precisavam ser resolvidos, falou de valores, falou de custos,
de metas, de previsões de tempo... Minha cabeça, se encheu de tanta
informação e problemas, que... Ao ver que ele tinha se distanciado, notei o
pequeno porta-retratos caído de frente para mim... Levantei-o, e o coloquei
no lugar que estava antes... Nunca mais consegui movê-lo novamente com a força da
minha imaginação.. Ele ficaria ali, pra sempre, imóvel... Pois para mim, que
já sabia voar, problemas do cotidiano, prendiam-me demais no
chão, e me impedia de ver as estrelas... "


Escrito por Super-EU! às 07h11
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O Médico do Coração

  " - Doutor! Estamos perdendo a paciente! ... - Gritou a enfermeira
  desesperada enquanto tentava de todas as formas reanimá-lo.
  Super-EU! então abriu os olhos e voltou a si, era o mais habilidoso e
  brilhante cirurgião cardiologista de todo o planeta... Vestindo luvas,
  aplicou então um injeção no braço esquerdo da paciente e com uma
 habilidade
  exígua, aplicou uma pressão exata em seu peito. Ela se contorceu e começou a
  tossir. Estava salva, mais uma paciente tinha parado as batidas de seu
  coração, não porquê ele não funcionava mais direito, mas sim, pq ele
  machucava menos assim do que enquanto pulsava. Depois que descobriram
que
  aquela parte do corpo é que amava, todo mundo passou a associá-lo também
 com
  a dor, a desilusão, a tristeza... Então, os corredores de seu
consultório
  ficavam sempre lotados, jovens, velhos, homens e mulheres... Todos
tinham
  uma pequena feriada, uma pequena cicatriz que nunca se curou e queriam
de
  qualquer jeito arrancá-lo do peito.
  - Coitada, apenas 15 anos e já sofreu tanto! - pensou consigo mesmo
  olhando para a paciente e alisando seus cabelos
  Depois de terminar seu trabalho. Super-EU! fez um aceno de cabeça pra
 uma
  das enfermeiras, e ela levou a paciente embora. 

  Enquanto a olhava ser  levada, reparou numa pequena lágrima que escorria de seu rosto, e uns
  fiozinhos brancos que apareciam em sua cabeça enquanto ela desaparecia
 pelo  corredor.
  Ele então resmungou e acendeu um cigarro, o cheiro gostoso de um
cigarro recem aceso fez com que ele desse um largo sorriso. Pensou consigo
 mesmo: -  É a última lágrima daquela mulher, ela perdera alguns anos, mas ainda
 tinha uma vida inteira pela frente.
  - Diga a todos que vou fazer um pequeno intervalo - gritou, em tom
  imperativo. E saiu correndo por entre o corredor lotado, viu pessoas com
  semblantes tristes, umas segurando lenços, outras olhando para o vazio
da parede branca... Mas, a tristeza em todos tinham a mesma melodia
 silenciosa de uma gaita tocada por um presidiário... Todos ali estavam presos
dentro de si mesmos, não havia diferença de idade, cor ou classe social. Super-EU!
é um libertador, disse uma vez uma das enfermeiras.
  E ele concordara com o orgulho inflamado, chegou na salinha de
descanso no final do corredor, abriu a porta e pegou um copo de café da máquina.
Como era possível duas substâncias químicas se combinarem tão bem? , pensou
  consigo mesmo.
  A única coisa que o dava prazer agora era o café, o cigarro, e o
 trabalho e nada mais. Passou a viver para isso, fazendo hora extra, tendo noites em
  claro, e jogando caixas e mais caixas de cigarro vazias pelo lixo de sua
  casa. Olhou então para um quadro que pendia na parede... Um adolescente
  andando de bicicleta. E lembrou de sua infância, quando ele mesmo
enterrou seu próprio coração após sofrer de uma desilusão amorosa terrível
naquela época.... Deu uma longa baforada no quadro e viu como num filme a imagem
  daquele menino chorando enquanto bebia uma garrafa inteira de uma forte
  bebida alcóolica... Viu o menino chorar tanto e beber tanto até cair
  desacordado. Acordou então com uma forte dor no peito e um medo terrível
 de morrer, até que a dor cessou... Super-EU! então voltou a si, lembrou que
 seu coração parou de bater, mas não acabou morrendo. Ele continuou vivo,
vivo e com apenas a razão comandando-o ele se tornou um empresário e um
cirurgião de sucesso, venceu barreiras que com a emoção de pé, ele não venceria. E
  partiu para a vida, jogou então o cigarro no vaso de plantas murchas que
  pendia embaixo do quadro e saiu da salinha, com um semblante sério e mal
  humorado, ele passou pelos pacientes encarando-os com superioridade.
  Entrou na sala, e falou para a enfermeira: - Pode chamar o próximo.
  Enquanto ajeitava seu casado, pegou em mãos um remédio que descobrira
na infância e que conhecia bem: O Tempo. ... Leu no rótulo da embalagem.
  - Ahhhh, esse é o melhor remédio pra curar os males da vida... Pensou,
  enquanto segurava o precioso líquido. "
 



Escrito por Super-EU! às 07h09
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