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A Força da Imaginação.
" - Eu nunca vou me esquecer daquele dia... - disse Super-EU! enquanto fixava os olhos na fogueira a sua frente, com os pensamentos perdidos naquele passado que parecia tão distante... - Era um fatídico dia de segunda-feira... Daqueles onde você sai pela manhã, amarrotado de blusas e o calor faz com que vc tire quase todas aos poucos, num strip quase inconsciente em público... Estava cansado, sentado em minha mesa, me peguei a olhar um porta-retratos pequeno que estava em cima dela... Tinha uma imagem, de uma menina que eu conhecia bem, e passara a ser aquele colorido especial em sua vida tão cinza do dia-a-dia... Não sei porque, mas por algum motivo, fiquei com uma vontade imensa de fazer com que aquele retrato ali se movesse com a força do meu olhar... E me concentrei, fixei minha mente naquele retrato e imaginei um braço invisivel e uma mão a envolver aquele pequeno objeto querendo que ele viesse para mais perto de mim... Nada, ele realmente não se mexia, a realidade era forte demais para o meu pequeno braço imaginário, mas ainda assim... Teimoso como uma criança que insiste em desafiar as ordens de um pai, tentei mais uma vez... Semi-cerrei os olhos em direção a aquele objeto , e me concentrando ainda mais, imaginei agora, não apenas um braço, mas dois, a envolver com força aquele porta-retratos, tentando trazê-lo em direção a mim. Fiquei surpreso! O porta-retratos fez um pequeno movimento. - Não é possível! Pensei... Olhando ao redor para ver se alguém tinha percebido.. Não, ninguém percebeu, todos estavam ocupados demais para ter percebido o pequeno milagre que havia acontecido perto de suas vidinhas medíocres... Eu tinha conseguido mover um objeto apenas com a força da mente... Fora um movimento pequenino, quase imperceptível, mas o suficiente para que sua visão pudesse captar aquele pequeno deslocamento. Empolgado, agora eu me distraía do trabalho completamente, todo o meu pensamento se voltava para aquele pequeno retrato e aquele sorriso enigmático da menina que havia dentro dele... Não tinha reparado, mas, naquela foto, aquele sorriso e seu olhar, pareciam querer dizer que agora nós dois tínhamos um segredo no qual ninguém mais iria acreditar. Tentei então mais uma ultima vez para que minha mente pudesse ter a certeza que aquilo tinha sido real e não objeto de uma imaginação louca por alguma coisa fora do normal... Cerrei os olhos, imaginei novamente aqueles dois braços... Braços quase transparentes, azuis... Pequeninos, como braços de uma criança, com as mão se aproximando do porta-retratos e fechando vagarosamente em volta dele... Sim, o retrato estava envolto agora naquelas mãozinhas frutos de sua imaginação... Agora, aqueles braços iria trazer o porta-retratos para bem perto de mim...Semi-cerrei os olhos novamente e me concentrei.... Vagarosamente, como se alguém empurrasse pelas costas o pequeno objeto ele começou a se aproximar... Sorrindo, me concentrei ainda mais admirando a caminhada lenta e meio dura do objeto sobre a superfície da mesa. Mas de repente, fui interrompido por um dos meus colegas de trabalho... Ele não tinha percebido o que eu fazia, e começou a falar dos problemas que precisavam ser resolvidos, falou de valores, falou de custos, de metas, de previsões de tempo... Minha cabeça, se encheu de tanta informação e problemas, que... Ao ver que ele tinha se distanciado, notei o pequeno porta-retratos caído de frente para mim... Levantei-o, e o coloquei no lugar que estava antes... Nunca mais consegui movê-lo novamente com a força da minha imaginação.. Ele ficaria ali, pra sempre, imóvel... Pois para mim, que já sabia voar, problemas do cotidiano, prendiam-me demais no chão, e me impedia de ver as estrelas... "
Escrito por Super-EU! às 07h11
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O Médico do Coração
" - Doutor! Estamos perdendo a paciente! ... - Gritou a enfermeira desesperada enquanto tentava de todas as formas reanimá-lo. Super-EU! então abriu os olhos e voltou a si, era o mais habilidoso e brilhante cirurgião cardiologista de todo o planeta... Vestindo luvas, aplicou então um injeção no braço esquerdo da paciente e com uma habilidade exígua, aplicou uma pressão exata em seu peito. Ela se contorceu e começou a tossir. Estava salva, mais uma paciente tinha parado as batidas de seu coração, não porquê ele não funcionava mais direito, mas sim, pq ele machucava menos assim do que enquanto pulsava. Depois que descobriram que aquela parte do corpo é que amava, todo mundo passou a associá-lo também com a dor, a desilusão, a tristeza... Então, os corredores de seu consultório ficavam sempre lotados, jovens, velhos, homens e mulheres... Todos tinham uma pequena feriada, uma pequena cicatriz que nunca se curou e queriam de qualquer jeito arrancá-lo do peito. - Coitada, apenas 15 anos e já sofreu tanto! - pensou consigo mesmo olhando para a paciente e alisando seus cabelos Depois de terminar seu trabalho. Super-EU! fez um aceno de cabeça pra uma das enfermeiras, e ela levou a paciente embora.
Enquanto a olhava ser levada, reparou numa pequena lágrima que escorria de seu rosto, e uns fiozinhos brancos que apareciam em sua cabeça enquanto ela desaparecia pelo corredor. Ele então resmungou e acendeu um cigarro, o cheiro gostoso de um cigarro recem aceso fez com que ele desse um largo sorriso. Pensou consigo mesmo: - É a última lágrima daquela mulher, ela perdera alguns anos, mas ainda tinha uma vida inteira pela frente. - Diga a todos que vou fazer um pequeno intervalo - gritou, em tom imperativo. E saiu correndo por entre o corredor lotado, viu pessoas com semblantes tristes, umas segurando lenços, outras olhando para o vazio da parede branca... Mas, a tristeza em todos tinham a mesma melodia silenciosa de uma gaita tocada por um presidiário... Todos ali estavam presos dentro de si mesmos, não havia diferença de idade, cor ou classe social. Super-EU! é um libertador, disse uma vez uma das enfermeiras. E ele concordara com o orgulho inflamado, chegou na salinha de descanso no final do corredor, abriu a porta e pegou um copo de café da máquina. Como era possível duas substâncias químicas se combinarem tão bem? , pensou consigo mesmo. A única coisa que o dava prazer agora era o café, o cigarro, e o trabalho e nada mais. Passou a viver para isso, fazendo hora extra, tendo noites em claro, e jogando caixas e mais caixas de cigarro vazias pelo lixo de sua casa. Olhou então para um quadro que pendia na parede... Um adolescente andando de bicicleta. E lembrou de sua infância, quando ele mesmo enterrou seu próprio coração após sofrer de uma desilusão amorosa terrível naquela época.... Deu uma longa baforada no quadro e viu como num filme a imagem daquele menino chorando enquanto bebia uma garrafa inteira de uma forte bebida alcóolica... Viu o menino chorar tanto e beber tanto até cair desacordado. Acordou então com uma forte dor no peito e um medo terrível de morrer, até que a dor cessou... Super-EU! então voltou a si, lembrou que seu coração parou de bater, mas não acabou morrendo. Ele continuou vivo, vivo e com apenas a razão comandando-o ele se tornou um empresário e um cirurgião de sucesso, venceu barreiras que com a emoção de pé, ele não venceria. E partiu para a vida, jogou então o cigarro no vaso de plantas murchas que pendia embaixo do quadro e saiu da salinha, com um semblante sério e mal humorado, ele passou pelos pacientes encarando-os com superioridade. Entrou na sala, e falou para a enfermeira: - Pode chamar o próximo. Enquanto ajeitava seu casado, pegou em mãos um remédio que descobrira na infância e que conhecia bem: O Tempo. ... Leu no rótulo da embalagem. - Ahhhh, esse é o melhor remédio pra curar os males da vida... Pensou, enquanto segurava o precioso líquido. "
Escrito por Super-EU! às 07h09
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