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O Comprador de Semanas. - PARTE 2
" ... Super-EU! fora pego de surpresa novamente, um milhão de notas era muita coisa até para a vida que ele tinha, nunca viu tamanha quantidade de dinheiro. Largando aquele homem, Super-EU! disse temeroso de olhos fechados: - Está bem, eu aceito - e estendeu a mão.
O Comprador não cabia em si de tanta felicidade, deu a mala toda de dinheiro em sua mão, e quando Super-EU! abriu os olhos ele já não estava mais lá, apenas o vento lembrava-o que era hora de ir embora aproveitar o que tinha lhe restado.
Quando chegou em casa, jogou a maleta de dinheiro em cima da cama e se viu surpreendido pelo espelho como se ele pudesse lhe dar um Tapa no rosto, ele percebeu: - Estou velho. - e caiu sentado de frente na cama, com lágrimas nos olhos.
Os dias que se seguiram, não renderam tanta alegria e felicidade que Super-EU! pensara que lhe renderia, seus domingos passavam tão depressa e eram tão vazios que, por mais que ele gastasse rios e rios de dinheiro tentando se divertir, a noite, no escuro do quarto ele não tinha lembranças boas do que acabara de fazer. A cada noite que dormia, acordava 7 dias mais velho e assim, terminou por perder a força nas pernas e a parar de andar.
Parou de andar, não saía mais para fora, porque acumulara tanta coisa dentro de casa e havia tanta gente interessada em seu dinheiro, que sair era arriscado demais para a vida que levava. Não dormia bem, por mais que tomasse pilulas para o sono, caríssimas vindas da Europa, seus sonhos eram povoados do que ele poderia ter sido e não foi, e acordava sempre sobressaltado, como se o sono fosse um ladrão querendo roubar o seu dia tão precioso. ( embora, ele tenha esquecido, que, o que foi mesmo uma perda de tempo, foi ter trocado um dia de sua vida pela ganância.)
A Ganância andava com ele, tornaram-se amigos, dia e noite, vigiava seus vasos chineses, seus brinquedos, seus carros de luxo e seus objetos eletrônicos, não permitindo a ninguém tocá-los nem mesmo seus empregados.
E então, um belo dia, Super-EU! teve uma dor no peito incontrolável e caiu de sua cama, espumando pela boca. Uma das muitas mulheres que dormiam com ele, tomou um susto, chamou um médico, mas , por mais habilidoso que fosse, o médico não pôde fazer nada. Os dias que ele tinha trocado, foram muitos, e a vida que jazia neles foram tão pobremente gastos que não havia nada que ele pudesse fazer.
Por não ter para onde ir, Super-EU! parara de andar, por não ter com quem falar, seus lábios já não mais mexiam, seu coração, por não ter mais por quem bater já parara há muito e, por mais que tivesse dinheiro, não conseguira comprar nenhum amigo que lhe completasse e assim morreu. Incompleto com a vida, velho com o tempo, frágil como nossas decisões. "
Escrito por Super-EU! às 07h27
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O Comprador de Semanas. Parte 1
" Um dia, Super-EU! estava passeando pela rua quando se deparou com um homem de Sobretudo preto e um chapéu esquisito que lhe cobria todo o rosto. Este homem, se aproximou de Super-EU! e perguntou: - Quer me vender sua Segunda-feira?
Super-EU! ao primeiro momento não sabia o que dizer, tantas pessoas ao redor e parecia que elas não enxergavam aquele homem. Ele o observou bem, não conseguia ver uma única parte do corpo daquele homem, nem o rosto ele conseguia ver, pois a penumbra que o chapéu fazia mascarava seu rosto com uma Sombra impenetrável que, por mais que estivesse claro as luzes do sol não conseguiam ultrapassá-la... Assustado, Super-EU! se afastou do homem com passos rápidos e, quando virou para trás , não mais o viu... Ficou com aquela pergunta na cabeça: - Vender minha segunda-feira? Como ? Será que meus dias da semana valeriam algum dinheiro? . E, naquele dia, Super-EU! resolveu não pegar o onibus, resolveu voltar a pé para casa e filosofar de quanto valeria um dia tão sem graça como aquele que sucede um final de semana tão cheio de vida que ele costumava ter.
No dia seguinte, lá estava Super-EU! novamente passeando pela mesma rua que ele passava todos os dias, e observou o homem que o abordou no outro dia falando com outra pessoa... Ele segurava uma mala preta e parecia fazer a mesma proposta a ele... O Homem que falava com aquele ser estranho, tinha um ar cansado, um semblante que o fazia mais velho, e cabelos ralos que denunciavam uma calvície precoce demais para sua idade, e em certo momento, notou que ele parecia que tinha aceitado. Com visível excitação o homem de sobretudo ofereceu a ele um bolo de dinheiro e o velho, colocando rapidamente no bolso pegou-o e saiu.
Super-EU! ficara animado, era muito dinheiro que ele tinha dado àquele homem e se aproximou do "ser de sobretudo" e disse: - Boa Tarde, ainda quer comprar minha segunda-feira?
O Homem de sobretudo virou-se e disse calmamente:
- Claro! .
E, disfarçadamente, pegou da maleta um bolo de notas e o entregou a Super-EU!.
Ao ver as notas, nosso personagem não ficara lá muito animado, pois não era a mesma quantidade do outro homem que passara a pouco, mas mesmo assim era uma grande quantidade comparado a um dia de semana tão sem graça que era aquele... Aceitando e sem nem se despedir do homem, Super-EU! pegara o dinheiro e se afastava rápido, orgulhoso com o grande negócio que tinha feito.
Alguns dias se passaram, e Super-EU! notara que em seus calendários já não haviam mais 7 dias de semana, apenas 6 e, a princípio, ele não notara falta de nada, afinal, tinha um conforto extra provocado pelo dinheiro que ganhara no negócio. Quando seu dinheiro acabou, ele procurou aquele homem novamente. Lá estava ele, o "Comprador de Semanas", pensou Super-EU!, batizando e já vendo naquela figura algo familiar. E perguntou: - Quer comprar minha Terça-feira?
E assim foi, a cada dia da semana vendida, parecia que o dinheiro oferecido por aquele Comprador crescia. Super-EU! não podia acreditar! Era muito dinheiro que estava conseguindo com tudo aquilo e, em dias que ainda eram seus, passou a visitar Festas Caras, comprou Jóias, Artigos de Luxo, Carros com Tecnologia de Ponta, Comprou até uma Mulher Barata que passava pela rua certa vez e que se ofereceu a ele quase de graça, contanto que ela pudesse usufruir daqueles pertences e o ajudar a gastar tanto dinheiro que conseguira...
Um dia, sentado numa cadeira confortabilíssima que comprara para sua casa, olhou para o calendário na parede. Não tinha reparado como sua semana diminuíra, ela já não era mais a mesma, sobrara pouco tempo para ele, sobrara apenas a Sexta-Feira, seu Sábado e seu Domingo. Assustado, Super-EU! pegou seu celular que nunca tinha utilizado, mas que comprara por estar barato e ter jogos eletrônicos que pareciam divertidos e tentou chamar um amigo. Procurou em sua agenda eletrônica e, surpreso, nada encontrou, não havia nenhum número conhecido ali. Apenas telefones de vendedores de artigos de luxo, promotores de eventos, imobiliárias, telefones que não valiam nada. Procurou então a mulher que morava com ele, e também não a encontrou, ela tinha saído para fazer Compras, suas roupas estavam velhas, tinham já 2 semanas de uso, e ela não as queria mais.
Desesperado, ele se trocou, abriu a porta de casa, e saiu correndo a procura daquele homem, cruzou a avenida em disparada até chegar a rua onde o Comprador costumava ficar e não o viu... - Não é possível! Ele pensou, olhando ao redor e tentando desesperadamente encontrá-lo. Até que o viu sair da Sombra de um dos prédios próximos.
- Boa Tarde! Veio vender-me sua Sexta-feira? - perguntou, com a voz sibilante como a de uma cobra cascavel.
- Não! Eu vim pegar meus dias de volta! - disse, agarrando aquele homem pelo sobretudo e o ameaçando.
- Ei, calma, calma! - disse o homem - Os dias vendidos não podem ser devolvidos, qual é o problema? Não aproveitou bem seus dias? Não lhe deu prazer o dinheiro que tudo aquilo lhe rendeu? Pq os quer de volta? Seus amigos sumiram? E daí? Quem vai ligar para eles quando se tem artigos de luxo, todas as mulheres que você sempre quis ter e uma TV de Plasma no Quarto?.
- Eu não tenho uma TV de Plasma no meu quarto! - disse, rangendo os dentes - Meu dinheiro está acabando e eu perdi meus amigos, quero minha semana de volta!
- Infelizmente isso não é possível meu jovem, uma vez passado o Tempo, não se pode voltar atrás. Venha cá, vou lhe fazer uma proposta irrecusável, sua Sexta-Feira e seu Sábado, por um milhão de verdinhas. O que acha? Com todo esse dinheiro você dará Festas em sua mansão! Terá TVs de Plasmas em todos os cômodos da sala e, poderá ter qualquer humorista para lhe fazer rir quando seus olhos ousarem chorar. Não é uma má idéia é? ..."
Escrito por Super-EU! às 14h21
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