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A Favela
"... A favela diante de Super-EU! se descobriu como uma cômoda esquecida que surpreendia por estar ali ao se tirar um pano branco de cima dela. De repente, sem esperar, estava dentro de uma imensa e populosa favela, não sabia como chegara lá, simplesmente tinha colocado pé ante pé, e de uma hora pra outra acabara se encontrando no meio de todo aquele conjunto de casas que cobriam o morro, não havia notado o quanto ela era enorme e viva quando passava por aquelas redondezas de carro. Estranhamente, ela não se mostrava violenta ou agressiva com a presença dele como imaginava. Ao contrário, ela se mostrava acolhedora e ao mesmo tempo simples, como um tio do interior que lhe convida a entrar em sua humilde casa esquecendo-se que você não o vê desde quando era criança. Continuara andando, maravilhado com toda àquela agitação, ficara surpreso como o povo simples pode também ser educado ao ser cumprimentado com um singelo: - Boa tarde por uma velhinha que passava... Como as crianças brincavam pelas ruas despreocupadas com a violência do cotidiano, enpinando pipas, jogando bola descalço, tomando banho de mangueira e fazendo as coisas que ele queria fazer quando criança mas não pôde. Um menino atravessava uma avenida movimentada segurando um cavalo e foi prontamente atendido por dois fregueses de um bar que estavam ali conversando: - Como se chamava isso? Solidariedade?... Super-EU! até já não sabia mais como se chamava esse ato, pois que na rua dele e em seu bairro esse ato ficava tão esquecido que ele já nem sabia mais como chamar. Maravilhado, continuou seguindo pela calçada maltratada em que se encontrava e percebeu, meio triste, que estava saindo da favela... Estranho, ele ficara com vontade de estar no meio daquele povo, no meio dos valores que aquelas pessoas ainda conservavam dentro de si. Agora ele tinha um espaço deserto enorme para percorrer, aquilo sim o causou arrepios na espinha, pois, soube, naquele momento, que o que causava medo eram as coisas que ele não podia ver ou não conhecia... Engolindo em seco, ele caminhou rápido, cantando uma velha canção que sempre o acalmava em momentos mais perigosos... "
Escrito por Super-EU! às 22h18
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