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Quando a tranquilidade chegou...
"... Não me lembrava direito quando a tranquilidade chegou, sei, que nem me levantei. Estava numa cadeira muito bem acomodado , de óculos escuros, sentado, vendo a civilização se acabar. Olhava com fascinação aquele grande cogumelo se espalhar com a nuvem radioativa da última explosão e acabar com a vida. Não me incomodei, em pares, meus pensamentos dançavam com as notas musicais que voavam pelo ares embalados por um radinho que tocava um ritmo lento e harmonioso. Neste estado de espírito, meus problemas eram diminuídos e assim, pequeninos, cabiam com facilidade numa caixa e lá eu poderia guardá-los na estante, no sótão, perto da onde deixei todos os meus fracassos e desilusões e enfim, esquecê-los. No começo, meus problemas reclamaram um pouco é verdade, bateram na tampa da caixa quando a fechei: - Não faça isso! Tenha Piedade! - disseram, imagine só. Mas agora já não mais o ouvia, nem dó eu sentia, eles estavam muito longe de mim para chegarem ao lugar onde meu coração estaria. Me recostei na cadeira, aliviado, todos ao redor pareciam preocupados, me cobravam atitudes, ações, promessas e resultados. Mas eu nem queria me mexer, queria ficar ali, respirando, sem ter o que fazer, apenas ouvindo o coração bater, como tambores da paz dentro de mim. Era bom estar ali, enfim, longe da preocupação ( que nesse momento eu nem queria saber onde estava) . A Tranquilidade sorriu, pegou uma cadeira e não resistiu, se sentou também ao meu lado para ver o sol no horizonte, que em pouco tempo, se despediu. Lembrei então de um ditado de Gandhi a respeito da preocupação: - Se o seu problema tem solução, não precisa se preocupar. Se ele não tem, então de que adianta também preocupar-se? "
Escrito por Super-EU! às 08h58
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Quando a alegria chegou...
"... Quando a alegria chegou, eu não tinha nem tomado banho para uma recepção adequada. Ela me abordou, assim, na calçada, perguntando as horas, como quem não quer nada. Não tenho, desculpe, respondi sem jeito, o tempo sempre me escapava do peito quando trabalhava. Sorrindo, ela então colocou uma bola vermelha no meu nariz. Um homem me olhou meio assustado, deveria me sentir envergonhado, mas não o fiz. E, extasiado, saí do auditório do teatro, sem dizer palavra, naquele lugar em que tantas vezes me recostava, sempre vendo a vida encenar. As pessoas não entenderam, quando roubei o orvalho das flores, e depois de tantos anos, despejei-as ali no jardim da vida que tinha abandonado... Acharam que deveria estar enganado. Então, peguei com a mão todas aquelas bolinhas de sabão que voam por entre as praças da cidade. e que as pessoas nunca notaram por causa de sua mediocridade. - Olha o que eu faço! - gritei - Colocando todas num saco e amarrando com uma corda para que nenhuma delas fuja. Eram milhares dela e ele ficou estufado o bastante para voar. Montei um balão e voei pela cidade. E o sol aqueceu meu balão com a claridade, as nuvens se abriram para a gente passar, e a vida se animou com a idéia de que aquilo nunca iria acabar. Abracei a alegria, me achando um pouco tolo por não ter notado quanta falta ela fazia. Também! Ela era tão simples, que era difícil de notá-la nesses dias. Nós iríamos nos dar muito bem juntos, disso eu sabia."
Escrito por Super-EU! às 10h50
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