Vida Longa ao Super-EGO
     
BRASIL, SAO PAULO, Homem, de 20 a 25 anos, Catalan, Cinema e vídeo, Livros
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Quando a idade chegou.

" Quando o sol nasceu no horizonte eu me deliciei... Fiquei maravilhado com a quantidade de brilho e calor que ele emanava e dirigia em minha direção, afogueado saí a contar a boa nova a todos da vila: - O sol nasceu! Ele nasceu! Venham, saiam todos a janela! Um novo dia está para surgir! ... Eu era criança.
   As pessoas então abriram as cortinas, destrancaram as janelas e realmente todas as casas se iluminaram e encheram de brilho e alegria, mas os mais idosos, aqueles mais sábios da vila me cochicharam ao ouvido: - Você precisa ver o pôr do sol, o jeito como o céu e as coisas ficam tingidas de dourado, como se o ouro preenchesse a superfície das montanhas e dos mares fazendo tudo reluzir... Tudo fica recoberto de uma seriedade tão respeitosa que a única coisa que vem a cabeça nessa hora é respeito e queremos ficar ali somente a comtemplar o céu com a esperança de que aquele momento nunca mais passe.
    E então, eu me inquietei, parei de brincar de correr e de esconder por entre as árvores esperando que os raios do sol me encontrassem e quis esperar. Imaginei como seria lindo esse fenômeno, será que tudo ficaria escuro de repente? Como será o brilho das estrelas? Eu nunca vi, dizem que é bonito.
    Então, peguei uma cadeira e subi na mais alta montanha e de lá de cima esperei que o sol finalmente se recolhesse, queria que o tempo passasse logo, que eu me tornasse adulto logo para finalmente poder contemplar esta beleza da ida do sol e do comecinho da noite quando as estrelas se espicham de preguiça e fofocam no manto escuro da noite falando sobre nós e sobre as pequenezas dos homens da terra.
    E esse tempo demorou tanto, que acabei caindo no sono, sonhando com a noite e com todos os astros que conheceria quando o tempo certo chegassse. Quando, por um acaso, meu corpo se estendeu pra frente e quase caí da cadeira eu finalmente acordei e já era noite... Perdi o fenômeno que passei a vida toda esperando.
    No primeiro momento fiquei maravilhado, meus lábios se abriram num sorriso e com a mão tentei tocar as estrelas e não consegui... Um vento frio soprou na minha nuca e percebi estar sozinho, me encolhi na cadeira... A escuridão era meio assustadora, minha barba espessa, e o ambiente agora parecia vasto demais para as minhas pequenas pernas. Os caminhos e estradas que me trouxeram aqui eram tão dispersos e vastos que me senti perdido. Me tornei adulto.
    Agora, tinha tanta coisa a fazer e tantos caminhos diferentes que podia percorrer que não sabia por onde começar. Procurei os amigos para ver se algum raio de sol ainda estava junto a eles para ver se podíamos resgatar o antigo brilho juntos e não estava. Eles também estavam adutlos... As brincadeiras eram outras, o tempo já corria mais rápido e até a bebida que tomavámos juntos tinha um gosto diferente. Estranhei.
    Senti falta daquele calor que sentia antes, dos sorrisos e das gargalhadas espontâneas, das brincadeiras infinitas que, agora, são contidas, responsáveis, quase limitadas aos tetos das casas e não mais ao céu de algodão que nos cobria. Quis explicar a eles que alguma coisa se perdeu, que deixamos algo para trás, mas não consegui e ninguém entendeu nada. Saí de casa e me sentei embaixo de uma árvore na praça e, olhando para o céu, vi que uma estrela cadente estava passando, brilhando e zunindo no céu. Cheio de esperança, subi no mais alto galho daquela grande planta e estendi os braços para pegá-la, a estrela deu um rodopio, umas espocadas como fogos de artifício e se alojou em meu peito. Trêmulo e sem saber onde ir e o que tinha acontecido, desci e adormeci aos pés daquela árvore querendo não mais acordar.
    A altas horas da madrugada, alguém me tocou no ombro e, abrindo os olhos vi a criatura mais linda que já tinha visto em todos os meus dias. Ela me abraçou e me disse coisas carinhosas, se sentou ao meu lado me envolvendo num abraço terno e aconchegante. Com a noite, o amor finalmente chegou e me deixou mais calmo, só com ela ele conseguiria aparecer, só à luz da lua entenderíamos o que era aquilo e porque ele tinha aparecido. Ele tinha me salvado. Corri a saldar os amigos e eles também tinham encontrado aquela estrela cadente e percebi que na verdade a luz que procurava não tinha se esvaído, mas sim se transformado, tinha mudado de cor, mas não apagado e nem ficado menos interessante. Tranquilizei-me.
    Dias, anos, décadas se passaram... E quando estava caminhando, enamorado, a luz da eterna lua, um velho  que estava na janela me disse sorrateiro: - Se você acha que a luz da lua é bonita, você deveria ver a luz do sol nascendo no horizonte. Com o amor que agora tens no peito, você vai ver a dimensão e o calor que esse fenômeno adquirirá, não há coisa mais bonita em toda a terra.
    Sorrindo, peguei meu amor, duas cadeiras, e subi novamente na grande montanha. Eu queria ver o sol novamente nascer ( que eu não me lembrava mais) e dessa vez, me encarregaria de não cochilar. A Melhor idade, a terceira, iria chegar, e essa eu não iria perder por nada. "    

Escrito por Super-EU! às 11h04
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