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O homem que parou...
" Numa grande cidade metropolitana, numa das maiores avenidas de lá, em pleno sol do meio dia onde as chaleiras do capitalismo apitam em ebulição de produtividade fazendo dinheiro, um homem pára na calçada. Obstruí a passagem de milhares de transeuntes preocupados demais em perceber que parou, leva trombadas, cotoveladas, xingamentos... Ele não liga. O sol a pino, faz sua testa suar e ele pega num dos bolsos um lenço pra aparar o suor. A frente dele, milhões de possibilidades, muitos caminhos a percorrer, muitas voltas a dar, mares a se desbravar. Ele não se move. Percebe, meio estupefato, cordinhas que vêm das nuvens segurando os homens, como marionetes.
- Marionetes! - pensa o homem chocado. Percebe que não são homens livres, são bonecos de pano, encenando um estranho teatro. Olha para os próprios braços, envoltos também em cordas. Não compreende o que acontece, o relógio a sua frente marca acusador o seu atraso, que não será tolerado. E ele sente um ímpeto de se mover, retomar o seu lugar naquela grande engrenagem social que gira, não se sabe pra onde.
Esse ímpeto, é como um estampido de um revólver, algo que atordoa, chama a atenção. Incomoda. Ele tem que fazer alguma coisa, tem que se manifestar! Não pode aceitar mais isso! Não desse jeito. Desesperado, com as mãos trêmulas, pixa em um muro:
- A Gente não é livre! Nem em sonho! . E joga para longe o giz com que escreveu que bate no vidro de um carro que passava.
Pronto, um pouco mais satisfeito. Limpa o nariz que se entope de poluição, pega sua pasta e se dirige, esperançoso, para seu escritório. Fez o que achava que era a sua parte, e assim pode prosseguir com a vida.
De longe, duas criaturas curiosas observaram a cena. Sentadas em um banco, alheias a todo aquele movimento:
- Você viu isso Sofia? Ele quase despertou sozinho! Uma carta comum de baralho pode virar um coringa, assim, de uma hora pra outra? - perguntou Super-EU!, confuso, enquanto devorava um algodão doce.
- Acho que pode sim - respondeu ela, enquanto brincava com os sininhos do seu chapéu. - A gente não nasce coringa, a gente decide se tornar um. Que tal uma corrida até o parque? Nesses dias da semana ele está sempre cheio de animais e tem um cheiro de flores que faz muito bem à gente.
Sem responder, Super-EU! joga de lado o Algodão Doce e parte em desabalada carreira por entre as pessoas.
- Ei! Isso não vale! Você trapaceou! - grita Sofia, enquanto corre também atrás. Desaparecendo na multidão.
Coringas. Seja um você também. "
Escrito por Super-EU! às 08h41
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