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Quando a tristeza chegou...
"Hoje... Quero estar entre os cobertores, com a cabeça no travesseiro, num sono profundo... Não quero mais do que o sono, a paz de espírito, a escuridão. Quero me esconder por entre os lençóis protegido do frio e da solidão que se abate sofre essa coisa que bate no meu peito.
Hoje, não quero o amor que me dói na semana, não quero o colo que me faz renascer aos sábados, não quero sentir nada. O Frio e o calor da alma não mais existem agora e isso já satisfaz.
Hoje, não quero ter pernas para não precisar andar, quero a inaptidão, a incapacidade, a loucura nos pensamentos para que não precise pensar... Não quero decidir nada! A mim já me bastou a decisão de nascer, e isso me cansa.
Hoje, não quero ter mãos para não ter que carregar o peso da responsabilidade, não quero me adaptar a rotina, não quero nada... Lá fora, a mesa está posta, os talheres se agitam, os copos tilintam com suas bebidas e eu não me movo. A fome não me empurra mais para fora, a criança que me acompanha sempre está agora em coma caída ao lado da cama e não mais brinca com meus sentimentos e visão. Ela não se move, o riso desta se foi e isso me acalma por não precisar mais me dedicar a ela.
Diz para mim, de que vale seus afagos em meu rosto se minha pele se resseca e meus cabelos caem? De que vale a vida se a morte está tão próxima? De que vale gritar se tudo o que resta depois é o inicial e constrangedor silêncio?
Nada parece valer a pena e agora, a porta do meu quarto se fecha. O isolamento é total e as palpebras pesadas não mais deixam transpassar a luz. Imóvel, submeto-me a outra realidade, mais calma, mais confortável, mais humana..."
Escrito por Super-EU! às 07h52
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