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A Última Dança
"... Quando o presidente de todas as nações anunciou que a humanidade finalmente deixaria de existir houve um pânico e um caos total nas ruas, todos sairam de suas casas correndo inutilmente para igrejas, bunkers, bases militares e até para debaixo de suas camas. Todas as lojas e monumentos foram depredados, houve mortes, assassinatos e atos de loucura a cada esquina em que se olhava. As pessoas se despediam, umas corriam nuas pela rua, outras acertavam contas com outras que nunca gostaram... Queriam fazer tudo de uma vez, coisa que em muitos anos deixaram para depois e agora não podiam mais protelar. No entanto, havia um casal que se destacou dos demais, alguém que, por mais prejuízo material que seus atos em vida tivessem acarretado, estavam tranquilos... Super-EU! caminhou em direção ao radinho de pilha e colocou para tocar a velha fita de música de quando se conheceram... Estava com a sua melhor camisa e um sorriso no rosto por ter o coração tranquilo para seu último dia. Deixou então seus ouvidos ficarem cheios da alegria da melodia que saia daquele pequeno aparelho e se virou para o sofá... Lá estava ela, linda, com os cabelos soltos por causa dele que lhe pedira assim. Super-EU! sempre gostou dela com os cabelos soltos, mas ela nunca o deixava assim em publico, só quando estavam a sós, era uma beleza que ela guardava pra ele e isso o fazia amar... Ele se aproximou do sofá, lhe estendeu a mão e disse: - Você está maravilhosa. - Só pra você. - ela respondeu, com o coração batendo acelerado Os dois corações então bateram mais forte do que as explosões e os gritos da rua do lado de fora. O Amor convidou a Alegria para dançar, iluminarando o salão. Sua amada tocou a mão de Super-EU! e se levantou. Estava com um vestido preto e usava um sapato que a deixava divina. Segurou um vinho exatamente igual ao que beberam pela primeira vez e o despejou em dois copos simples de vidro que tinha perto de si. Era o momento aguardado. Ela se aproximou segurando o copo. Brindaram. Ele a convidou para dançar sem dizer uma só palavra. Inspirou, enebriado, o perfume predileto no pescoço dela e colocou os copos na mesinha atrás de si. Estavam orgulhosos e por isso rodopiavam na pequena sala daquela casa, que agora, para eles era um enorme salão decorado só para aquele momento. Felizes, sabiam que fizeram tudo o que queriam e por isso estavam tranquilos. Tinham os passos ritmados, coordenados como se fossem uma só pessoa dançando e diziam palavras de amor ao ouvido do outro. Beijaram-se. De repente ela exclamou, rindo, entre os dentes: - Estou tonta. - Eu também. - e desabaram no sofá, exaustos com a dança, com o álcool que corria nas veias, com o amor que também bailava no salão e com o veneno que Super-EU! pusera na bebida para que morressem juntos. Era a última coisa que prometeram fazer juntos. Dançar. Pela última vez. "
Escrito por Super-EU! às 10h21
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