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A Floresta de Sophia
“...Estava escuro. Super-EU! Há algum tempo havia se perdido na mata e caminhava, a esmo, por entre as árvores que cobriam os últimos raios da Lua, barulhos assustadores lançavam-se sobre eles e animais selvagens espreitavam por entre a escuridão... Poderia jurar, que, quando olhara pro lado tinha notado um par de olhos ameaçadores fitando-o como se fosse atacá-lo a qualquer momento, aquele não era o seu território. Aumentou o passo. Estava frio. Super-EU! Não sabia pra onde ir, e seu estômago já começava a reclamar da falta de comida e dos esforços excessivos que exigia de si. Em certo momento de sua corrida, tropeçou em alguma coisa que andava pelo chão e rolou por alguns instantes morro abaixo tentando agarrar galhos que pareciam fugir deles como mãos de gente que se ausentam de ajuda em momentos que precisamos... Parou abruptamente ao final do monte onde avistou uma clareira... Ouviu barulho de água de cachoeira e música, mas não sabia de onde vinham... Aquela floresta tinha dona? .... Super-EU! Levantou-se, tentando tirar a lama que insistia em grudar em sua roupa e foi para atrás de uma árvore. A luz da lua lançava sobre a clareira uma claridade fria e cinza que iluminava todo o local... Avistou uma menina deitada, meio encoberta de terra ao lado da torrente de água, olhando para o céu... Era linda. Um descompasso de cor entre o preto e branco da floresta, um choro de criança no silêncio do velório dos homens... Tinha cabelos enormes, quase até a altura dos quadris, vermelhos como fogo, vestia uma roupa branca, um longo vestido que cobria quase todos seus pés descalços, que agora estavam estáticos... Havia flores ao lado dela, um pouco murchas, de certa vindas com ela àquele lugar... Ficou estático por alguns minutos, observando aquela menina deitada olhando para o céu... Se ajeitou para ver melhor, os sininhos de sua roupa fizeram barulho e ele parou. A menina pareceu ter ouvido, olhou para os lados, mas perdida em pensamentos, voltou os olhos para o céu. De onde estava, pareceu sentir que lágrimas escorriam do rosto dela e misturava-se a água da cachoeira que jorrava cada vez mais furiosa... Saiu de trás da árvore, segundos antes, de ela pegar um punhal que ele não tinha notado. Aquilo o imobilizou, a noite da tempestade nunca saíra das suas lembranças, e tinha certeza que aquele punhal era a mesma arma maldita que ele tinha usado. Viu a menina cortar os cabelos e, pouco a pouco, os fios que caiam se transformavam em faíscas de fogo ao tocar o chão. O fogo e a água brincavam de roda em volta daquela menina que não notava o que estava acontecendo. Suas lágrimas misturavam-se ao frio da terra, e os cabelos davam o calor que seu coração emitia, numa receita maléfica que a destruiria.
Super-EU! Afastou-se alguns passos, começara a ventar muito, a mata parecia que se auto-destruia. Sem outra alternativa, correu em direção a ela. Mesmo com medo, não deixaria a chama e o rio engoli-la.“
Escrito por Super-EU! às 10h55
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